'O Diário de Anne Frank' é um diário, um diário real que pertenceu a uma garota judia chamada Anneliesse Marie Frank mais conhecida como Anne por familiares e amigos.
Com o fim da Primeira Guerra, em 1918, a Alemanha, derrotada, encontrava-se em uma profunda crise. Para sair da guerra e manter o que restou de seu exército, a Alemanha viu-se obrigada a assinar o acordo de paz chamado “Tratado de Versalhes”. Esse tratado, além de responsabilizar a Alemanha pela Primeira Guerra, proibia o país de fabricar armas, tanques e aviões; obrigava a devolução de territórios conquistados e a redução do exército alemão, além de exigir o pagamento de uma indenização aos países vitoriosos, pelos danos de guerra. Essas imposições criaram na Alemanha um clima de revanchismo, revolta, por parte da população que estava se sentindo humilhada.
Em 1923, Hitler, estava indignado com as péssimas condições que os alemães enfrentavam, oriundas da derrota na guerra. Hitler defendia a hegemonia da raça ariana, alegando que a Alemanha só se reergueria quando os povos se unissem “num só povo, num só império, num só líder”. Outras etnias, como judeus e negros, deveriam ser executadas. Hitler não gostava de judeus, pois afirmava que a Primeira Guerra só fora desastrosa por conta da traição dos judeus que 'invadiram' o país, roubando o emprego das pessoas, assim, levando o povo Alemão a miséria dentro do seu próprio país.
Os alemães viam em Hitler uma salvação para a crise que o país enfrentava. Rapidamente o partido cresceu. Agricultores, jovens, soldados, em todas as classes, tornaram-se adeptos do novo partido, assim a Alemanha se tornou Nazista, comandada por seu líder Adolf Hitler. Foi nessa época em que Anne Frank nasceu, no dia 12 de Junho de 1929 na cidade de Frankfurt am Main, na Alemanha.
Em agosto de 1934, Hitler assumiu o cargo máximo e se proclamou Führer (líder, em alemão). Sua primeira medida como ditador foi a execução de milhares de judeus, comunistas, homossexuais, negros e outros nos campos de concentração. Esse episódio ficou conhecido como “Holocausto”. Devido a chegada de Adolph Hitler ao poder, aos 4 anos de idade, Anne foi obrigada a sair do país com sua família, assim indo para Amsterdã, na Holanda, onde poderiam ter uma vida relativamente normal.
É uma leitura muito interessante para quem gosta da 2ª Guerra Mundial e quer saber um pouco mais sobre os bastidores do ponto de vista de quem foi realmente vítima: a população européia, no caso do livro, os judeus.
Anne Frank era uma garota carismática, simpática, rodeada de amigos e tinha como sonho, se tornar escritora ou jornalista. Em 12 de julho de 1942, ela ganhou um diário de presente de aniversário de 13 anos, que a partir daquele dia viria a ser seu grande 'companheiro', onde ela passaria a expressar suas opiniões, desejos, vontades, medos, inseguranças, onde ela passaria a contar sua vida de uma maneira ao todo. Na data em que o ganhara, Anne já fez suas primeiras anotações: “Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda.”
![]() |
| Diário de Anne Frank |
Em julho de 1942, Margot Frank (irmã de Anne) recebeu uma carta do Escritório Central de Emigração Judaica. Era um aviso prévio, ordenando que ela fosse para um dos campos de concentração nazistas. Devido a isso, o pai das irmãs Frank, decidiu que era hora de se esconder.
Anne fugiu do Holocausto aos 13 anos, junto aos pais e a irmã no dia 9 de julho de 1942 e viveu escondida no fundo do prédio onde se pai trabalhava, lugar onde eles chamavam de 'O Anexo Secreto' juntamente a família van Pels, constituído por Hermann, Auguste e Peter Van Pels que tinha 16 anos de idade. E, em seguida, em novembro, foi a vez de Fritz Pfeffer, um dentista amigo da família, de se esconder juntamente no abrigo.
Os únicos que sabiam dos moradores escondidos eram Victor Kugler, Johannes Kleiman, Miep Gies e Bep Voskuijl que trabalhavam no escritório, juntamente com o marido de Gies, Jan Gies e o pai de Voskuijl, Johannes Hendrik Voskuijl. Eles também foram os "ajudantes" dos moradores do anexo secreto no período de confinamento. Estes eram a única ligação entre o mundo exterior e os ocupantes da casa. Eles os mantinham informados das notícias da guerra e seus desdobramentos políticos, atendiam todas as suas necessidades, garantiam a sua segurança, e lhes forneciam alimentos, uma tarefa que ficou mais difícil, quando a guerra foi avançando.
No esconderijo, o Diário de Anne Frank era o único instrumento de liberdade que ela possuía, e nele, relatou a vida cotidiana do Anexo Secreto, as transformações sofridas por cada um dos ali residiam e a angustia daqueles dias. Anne se dirigia ao diário, chamando-o de Kitty, como se ela fosse uma amiga. O que eu pude perceber nas palavras da menina, é que ela era uma garota muito a frente do seu tempo que tinha desejos, vontades e ideais incomuns para uma garota da sua idade. No seu diário, Anne Frank anotou os seus sonhos, de sucesso e de paz. Não chegou a ver cumprido nenhum deles.
![]() |
| Anne Frank |
Apesar da vida precária que passou a viver, Anne não desistiu de seus sonhos, e acreditava que logo a guerra fosse acabar, e assim poderia voltar a viver em paz, e correr atras de tudo que desejava.
"...Finalmente percebi que devo fazer os deveres de escola, para não ficar ignorante, para continuar com a vida, para me tornar uma jornalista, porque é isto que desejo! Eu sei que posso escrever. Algumas de minhas histórias são boas, minhas descrições do Anexo Secreto são bem-humoradas, boa parte de meu diário é vivo e interessante, mas... resta saber se realmente tenho talento."
"Quando escrevo consigo afastar todas as preocupações. minha tristeza desaparece, meu ânimo renasce! Mas - e esta é uma grande questão - será que conseguirei escrever alguma coisa grande, será que me tornarei jornalista ou escritora?..."
Parte do que esta menina desejou, tornou-se realidade. Anne escreveu grandes coisas, não da forma como ela imaginou. Talvez se estivesse viva, teríamos grandes obras de Anne Frank, mas tornou-se conhecida por muitas pessoas que ela jamais conheceria, pessoas do mundo inteiro.
| Anne Frank |
Os sonhos e esperanças da adolescente ficaram registrados nas páginas secretas do seu diário. No decorrer do tempo, é possível ver o amadurecimento da garota. Anne não pode viver tudo o que queria, seus sonhos, seus projetos, pois se manteve 'trancada' no Anexo, sem puder realmente desfrutar da vida, ou seja, teve que amadurecer rápido, e viver uma realidade que não condizia muito com a sua idade. Anne Frank foi apenas mais uma no meio de tantos e tantas.
Em meio a tanto medo e insegurança causado pela guerra, Anne também começa a descobrir o amor, se apaixonando lentamente por Peter Van Pels (16 anos em 1942, quando conheceu Anne, mas o romance se deu em 1944 - tendo ele 18 anos recém completados, e final dos 14 anos de Anne), garoto judeu que também estava escondido junto a ela no Anexo Secreto. Romance breve, porém reprovado pela mãe da garota, e também pela mãe do garoto. Elas diziam que não era tempo de se apaixonar, mas sim de esperar por melhoras da guerra.
| Peter Van Pels e Anne Frank |
É triste ler os últimos escritos de Anne, em Junho e Julho de 1944. Eles transbordam alegria e esperança com as notícias da chegada do Dia D, que chegam através do rádio. Esperanças que se esvaziam no dia 4 de Agosto, quando o Anexo Secreto é descoberto pelo Gestapo (Polícia de Segurança Alemã), em consequência da denúncia de um informante que jamais foi identificado. Anne e os outros sete habitantes são presos.
Duas semanas antes de ser presa, Anne escreveu: "É impossível para mim construir a minha vida sobre o caos, o sofrimento e a morte. Vejo o mundo a transformar-se num meio selvagem, posso escutar o trovão que se aproxima e, um dia, irá destruir-nos a todos. Sinto o sofrimento de milhões de pessoas. E, no entanto, quando levanto os olhos para o céu, sinto que, de alguma forma, as coisas hão-se melhorar, que esta crueldade há-de acabar e que a paz e a tranquilidade voltarão."
Toda a família é presa. Seguem-se viagens para os campos de concentração na Holanda, na Polônia e na Alemanha. Os residentes do Anexo Secreto são transportados para Auschwitz. Anne e Margot são transportadas para o campo de concentração de Bergen-Belsen. Ali milhares de pessoas morrem de fome e de doença todos os dias. Margot e Anne contraem febre tifóide. Margot morre antes, dias depois Anne Frank morre aos 15 anos em Março de 1945.
Semanas depois o exército dos aliados entra na Alemanha. Milhões de pessoas morreram nos campos de concentração. O pai, Otto Frank foi o único membro que sobrevivente do Anexo Secreto e a ele se deve a publicação do Diário de Anne Frank.
Uma garota cheia de sonhos e desejos, mas que por ignorância da humanidade, não pode realiza-los. Algo que podermos ver muito claramente em uma das passagens do Diário, é o desejo de Anne de 'viver após a morte', não no sentido literal, mas no sentido de deixar sua marca no mundo. Anne tinha o desejo de que suas palavras fossem lidas por toda e qualquer pessoa. Ela queria ser lembrada.
"... eu sempre reclamava por não conseguir desenhar, mas agora me sinto felicíssima por saber escrever. E se não tiver talento para escrever livros ou artigos de jornal, sempre posso escrever para mim mesma. Mas quero conseguir mais do que isso. Não consigo me imaginar vivendo como mamãe, a Sra. Van Daan e todas as mulheres que fazem seu trabalho e depois são esquecidas. Preciso ter alguma coisa além de um marido e filhos a quem me dedicar! Não quero que minha vida tenha sido em vão, como a da maioria das pessoas. Quero ser útil ou trazer alegria a todas as pessoas, mesmo àqueles que jamais conheci. Quero continuar vivendo depois da morte! E é isso que agradeço tanto a Deus por ter me dado este dom, que posso usar para me desenvolver e para exprimir tudo que existe dentro de mim!"
Anne ela não escreve de maneira que passe a agressividade explicita da guerra, ela escreve de maneira profunda, Anne Frank consegue passar todo o peso da guerra em suas palavras. O Diário da Anne não serviu apenas para retratar o que houve naqueles anos, mas para provar até onde o homem é capaz de ir.
O Diário de Anne Frank não é somente o diário da Anne, é acima de tudo, a própria Anne Frank.
| . |
Devemos levar a história de Anne Frank como uma lição de vida. Podemos observar o que o poder é capaz de fazer com pessoas inocentes. Devemos acreditar que juntos possamos fazer uma história diferente, no qual a violência se torne a paz, o individualismo se torne a união, onde juntos possamos fazer uma comunidade unida não importando a religião, cor ou a classe social.
"Todos vivemos sem saber porquê e para quê. Todos procuramos ser felizes. Todos vivemos de modo diferente e, no entanto, somos todos iguais."
![]() |
| O Diário |
“Cerca de dez anos depois do fim da guerra, vai parecer esquisito quando se disser como nós judeus vivemos, comemos e conversamos aqui. (…) Não quero ter vivido inutilmente, como a maioria das pessoas. Quero ser de utilidade e alegria para as pessoas que vivem à minha volta e para as que não me conhecem” escreveu Anne em seu diário.
O Diário de Anne Frank, foi traduzido em mais de 60 línguas e é o segundo livro mais lido em todo o mundo de não ficção, depois da Biblía. Em 1960 O Anexo Secreto em Amsterdã, abriu-se como um museu. Mas se você, assim como eu, não pode ir AINDA para Amsterdã visitar o local, tem o site oficial, onde você pode ver o Anexo Secreto através de fotos e em 3D.
XOXO.Aboutmefree
Passagem;"Somos demasiado jovens para lidar com problemas destes, mas eles surgem-nos pela frente e obrigam-nos a procurar soluções, embora, a maior parte das vezes as soluções se desvaneçam perante os factos. São tempos difíceis, estes: ideais, sonhos e esperanças nascem no nosso interior, apenas para serem esmagados pela dura realidade. Admira-me que não tenha abandonado todos os meus ideais. Parecem tão absurdos e impraticáveis. E, no entanto, agarro-me a eles, porque ainda acredito, acima de tudo, que o ser humano é bom, no fundo."




Como Anne frank, em seu diário , explicita a questão da guerra ?
ResponderExcluir